Geração Neo-Beat Junkie Obsessiva.

Geração Neo-Beat Junkie Obsessiva.


Arthure 'Crack' di Monzza.

Guiliano 'Jamaica' Gasparetto.

Federico 'The Gangster' Carletti.

Francesco 'Nonsense' Manzano.


sábado, 21 de agosto de 2010

É só a acidez habitual de uma noite de quinta feira.
Fugindo do tédio, que pinga das árvores, dos céus, dos semáforos em preto e branco que piscam por sobre as cabeças abaixadas no chão. Não resta nem ao menos o que dizer, diante da normalidade esmagadora da grande maioria social. Obrigado a tomar um banho de mediocridade pra entrar no que chamam de conversação, convívio, grupo social, escutando e conversando conversas do lado de fora: apesar de tudo, ainda é díficil pensar em ser parte dessa biomassa. Em algum lugar de lá de grupos A e B, estou eu: grupo M. Grupo Merda nenhuma. Grupo Me fodo pra você. Grupo M, bem pra longe de A e B. Esse sou eu.
A apoteose das causas que mal foram abertas, e perdidas há décadas, junto a todas as outras causas falidas que chamo de amigos e conhecidos. Vivendo por viver, em uma quinta-feira que poderia muito bem ser uma segunda, um domingo, ou uma hora dentro de um outro dia. Nunca se procura o sentido de algo que não deve ter um. E isso é a vida, porra. Seria como atribuir senso moral à um pedaço de qualquer coisa: Porque?

Meu refúgio é o luar, a noite, são as doses baratas de lsd misturada com anfetamina de baixa qualidade. A cerveja de boteco, as pracinhas, os condomínios e terraços do mesmo setor de sempre. São braços quentes e sorrisos frios, entrecortados por bolhas de sabão e alguma outra coisa sem significado. O ritmo das risadas acompanha a urgência que todos sentimos. Alguma coisa enterrada nos dentes de baixo, que os dentes de cima esmagam sem dó nem piedade. Uma mordida como que arrancando aquele pedaço de realidade que cheira a ranço e que você quer destraçalhar, pelo prazer de fazê-lo, como um gato negro brincando com uma barata. Ou a sexta punheta da noite. Ou um baseado depois de uma carreira. A respiração que fica curta e rápida, o sexomotordomundodescontrolado. Esse é o refúgio. Sempre fugindo para os pequenos e grandes prazeres comprados na esquina, na mesa de um bar, na curva de um beco, pra não ter que encarar a plasticidade desse mundo de brinquedo. Pra não ter que encarar suas crias, seus pomposos intelectuais sentados nas mesas dos cafés, com seus ares de belle epoque e suas rolhas de cortiça enfiadas bem fundas no cu. Toda a elite-escória, socializando com o resto da sociedade socialmente cega, sorrindo seus dentes perfeitos e bem-cuidados, suas roupas brilhando ao som dos neons de suas boates. Todo o cheiro de perfumes importados não escondem a podridão de seus cérebros e decomposição. Grupos A e B, todos iguais em sua bela pose do nosso retrato social;

E eu, grupo M, continuo fugindo. Sempre fugindo, pra muito longe de tudo. pra muito longe, logo ali na esquina de casa.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Manifesto JunkieBeat - Parte 1

Noites encharcadas de anfetamina barata, essa é minha sina.
Não tem porque viver se não for pra experimentar as sensações que a vida te oferece, minha única obrigação é aquela que tenho comigo mesmo: dissolver a realidade diante dos meus olhos, derreter de euforia os sons e as cores que me cercam devagar, como num sonho kafkiano sem fim. Existindo nos consumimos na aflição de não ter em que acreditar, visto que a fumaça embaça a mente e tudo se desfaz conforme a onda vai batendo aos poucos e o Todo aparece sibliando uivos de alegria: contemplar o Todo, ver dentro de si mesmo a Unidade e o Infinito, privilégio dos loucos que se entregam à liberdade de passear sem rumo pelo caloroso fardo de viver em vão.
Arrastam-se os momentos derramados no labor de existir; de cada um deles, extraímos pensamentos acorrentados um ao outro, o emaranhado de não-conclusas e imprecisas idéias vindas das mais improváveis situações. É a mistura imperfeita que nos faz humanos, impulsionada pelas mais variadas substâncias, preconceituadas de geração em geração, e que na verdade não são nada mais nada menos do que a pura Verdade de estarmos aqui nesse gigantesco ovo cósmico chamado Terra.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Dois Cadáveres

Escuro é frio demais. Essa neve de lua não rola, mano. To congelando aqui e só queria mais um - porra! Por que não tem ninguém aqui perto com alguma coisa?... Desgraça é só o que passa pela minha cabeça agora. Arrancar a vida de alguém, HAHA! Vamos lá. Não tem ninguém aqui, muito menos com mais um... Não posso pensar nisso. Mas como eu queria mais um agora... só mais um, merda. MERDA! Cadê aquele filho-da-puta do Jonas, aquele vagabundo viciado? VÁ PRA PUTA QUE PARIU SEU MERDA!


Ah não, agora essa sirene... To gritando sozinho e alto demais, aqui. Porra, é o que acontece com a mente da gente depois de se meter em tanta onda errada. Vamos andando. Acendo um cigarro. Vejo a noite prosseguir sem nenhuma procedência. Calma - esgotada. Paciência? Zero. Só quero encontrar mais um maluco antes de dormir. Pra botá mais um pra mim. Ééééé, só mais um... Carai, quando aquilo estiver na minha frente, vou mandar tudo pra cabeça de uma só puxada. E depois procurar um lugar pra dormir, que eu já to é muito chapado aqui, chapado pra caralho. Tem um casal andando ali.

Espera um pouco... O cara é o Jonas! AQUELE CARA É O JONAS! Vou correr pra alcançar ele. Não, mas será que é ele mesmo?... Ei, você ae mano, tu é o Jonas né? O quê? Tá de brincadeira comigo? Tu é o Jonas sim! Tu é o Jonas e vai botá um aqui pra mim agora que eu to fissurado, porra! E você, que é a mina do Jonas, num se mete não! Num se mete não que OLHA AQUI O TAMANHO DO MEU TRABUCO! TE ARREBENTO A CARA, SUA VADIA! E você, playoyzinho de merda, já que você não é o Jonas, você vai pro saco. Falow.

*POW!*



Correr. É só o que eu sei fazer, correr. Correr das sirenes. Correr das testemunhas. Correr das dívidas. Correr dos outros. Correr de mim mesmo.

Então eu corro, corro até não sobrar mais fôlego. Aí eu viro na primeira esquina e paro no primeiro beco. Acendo um cigarro. Minhas mãos tremem. Será que alguém ouviu o disparo? Ah, isso com certeza ouviram. Mas será que alguém fez denúncia? Será que tinha alguma viatura lá perto? Essa parte da minha memória está corroída pela vida obscura que venho levando. Não consigo ficar sentado, preciso estar alerta, ver, ouvir, presenciar a realidade como nunca antes. Porque agora eu sou um assassino - por conta da pior das bobagens que já fiz. E agora ouço de novo um som - já distorcido - de uma longínqua sirene na captura do bandido infeliz - eu.

E agora pego o trabuco e vejo que só sobrou uma bala.

Posso ficar aqui pensando em um milhão de justificativas,

mas depois que fizer o negócio, ninguém vai ficar sabendo.

Não vai fazer diferença, agora ou daqui a cinco minutos.

Então eu faço a coisa mais certa que já fiz: aperto o gatilho

sentindo o músculo da têmpora esquerda se despedaçar em carne e pólvora.

Agora não sou mais um assassino e nem um viciado, me respeite. Sou um Cadáver na calçada.